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Relatos ATPP – IX Congresso Da Abrates (2 De 2)

Relatos ATPP – IX Congresso da Abrates (2 de 2)

 

Confira o relato da associada Kellin Conchon, que esteve presente no IX Congresso Internacional de Tradução e Interpretação da ABRATES.

O evento tem estreita relação com os interesses profissionais do tradutor, pois, além do conhecimento adquirido com as palestras, há uma intensa troca de conhecimento e relacionamento entre os tradutores.

O evento foi dividido por interesses: tradutores mais experientes, novatos, tradução de libras e interpretação. Com isso, cada participante pôde escolher as palestras que mais o interessavam dentro de cada uma das divisões. Farei um breve resumo do que pude assistir e participar.

O 9º

Congresso da Abrates abordou questões cruciais e fundamentais para o desenvolvimento profissional e para a reflexão das práticas como tradutor. Tratou do reconhecimento da profissão; houve mesa-redonda com representantes a Abrates, SINTRA, ATP´S e APIC. Abordou, ainda, o reconhecimento profissional até mesmo entre os próprios tradutores, o mercado de trabalho, a formação do tradutor, a remuneração, a reconstrução da identidade do profissional, o tradutor e as novas tecnologias e a entrada de novos tradutores no mercado de trabalho.

Na abertura, a Abrates nos trouxe uma reflexão sobre a discriminação e o não-reconhecimento de tradutores negros, uma vez que estes são a minoria em nosso mercado de trabalho. Há a necessidade de termos a presença, inclusão e representatividade de negros em nosso meio profissional.

O centro das palestras do primeiro dia foi a “Tradução e a Diversidade”, que nos fez refletir sobre o momento de falar e respeitar o ponto de vista do outro, lembrando que ser empático é um pré-requisito para ser um tradutor, pois servimos de ponto de ligação entre culturas e seres humanos.

Um assunto abordado com intensidade foi a autoestima do tradutor, pois é preciso estar bem para recepcionar novos tradutores e não os tratar como ameaça e, ainda, para fazer um serviço “bem-feito”.

A questão de agências de tradução foi um dos temas dos workshops; as vantagens e desvantagens de se trabalhar para uma agência ou como freelancer. Uma vez que somos profissionais autônomos, em sua maioria, e, no caso de tradutores juramentados, obrigatoriamente, a legalização fiscal também foi abordada. Foi enfatizado fato que, mesmo sendo autônomos, devemos pensar como pessoa jurídica, ou seja, devemos nos profissionalizar, contratar um contador, montar site, cartão de visitas, usar e-mail profissional, etc.

Dentro desta temática, foi falado, também, sobre como se posicionar no mercado: diferencial versus especialidade, preço e prazo, saber identificar o custo e valor do trabalho, gerenciamento, comunicação, fazer cursos, etc.

O evento contou, também, com várias salas abordando assuntos para jovem tradutores: como iniciar na profissão, como montar uma empresa, cursos, como conseguir clientes, entre outros.

Um tema muito interessante que foi abordado em vários workshops foi o tradutor e as novas tecnologias: como trabalhar com arquivos em pdf e word, como utilizar as CAT tools, como converter arquivos, enfim, como as novas tecnologias podem ser usadas em nosso favor.

Cláudio Roberto Gomes Pereira nos trouxe uma palestra: “Método Harvard de Negociação para tradutores”. Muito interessante para o crescimento profissional, tratou da negociação – persuadir pessoas, forma de comunicação para tomar decisão em conjunto, busca por acordo através do diálogo e a importância da preparação. Ele apresentou os 4 princípios de negociação de Harvard: Foco no problema, não nas pessoas; Critérios objetivos; Satisfazer interesses não posições e ter várias opções (criatividade). Ainda, os tipos de negociação: Negociação competitiva (perde-ganha), Negociação cooperativa (ganha-ganha) e Competitiva x cooperativa. Utilizou o processo de negociação para sabermos negociar melhor nossos serviços: Prepare (identifique seus interesses), Crie Valor, Distribua valor e Implemente.Para o método Harvard de Negociação os 7 elementos para uma boa negociação são:

  1. Interesses (determine suas prioridades, exponha motivações, use sua empatia, descubra pontos em comum e conflitantes)
  2. Alternativas (valor diferenciado, plano b, desistir?, O que temos fora da mesa)
  3. Opções (diferentes maneiras de satisfação, use a criatividade, acordos parciais)
  4. Legitimidade (a proposta é justa?)
  5. Compromisso (eles tem autoridade para cumprir o que acordaram?, Quais são as garantias)
  6. Relacionamento (como ficou o relacionamento?, Não comprometer futuras negociações)
  7. Comunicação (o que o cliente sabe sobre você e o que você sabe sobre o cliente, networking)

Para os tradutores “juramentados”, tivemos a mesa-redonda com a Abrates, APIC, ATP´s e SINTRA na qual foi exposto um pouco do trabalho dos “juramentados unidos”.

Uma das palestras mais interessantes de que participei foi intitulada de “Treine como um atleta”, ministrada por Isa Mara Lando, tradutora de várias obras literárias. Ela colocou que devemos ter curiosidade intelectual, treinarmos todo dia, ter constância, não deixar a timidez e a falta de autoestima nos atrapalhar, nos alimentarmos como atletas e ter bons conhecimentos culturais. Para ela uma boa tradução deve ter as seguintes características: Fidelidade, Precisão, Naturalidade, Fluência, Clareza, Simplicidade, concisão, Beleza e eufonia.

Participei pela primeira vez deste evento da Abrates e acredito que me ajudou a fazer autocríticas e repensar minhas práticas para ter um aprimoramento profissional. Para tradutores “juramentados” não tivemos nada específico. Conheci colegas do Brasil inteiro e do exterior, por isso creio quefoi muito bom para troca de contatos e networking.

Gostaria de agradecer a ATPP pela oportunidade de participar deste grande evento e parabéns pelo trabalho que a diretoria vem fazendo!

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