skip to Main Content
Abrates 7 4

Experiência no Congresso da Abrates 2016 — Camila Rassi

 

A ATPP segue continuamente incentivando o aprimoramento profissional de seus associados. Entre as iniciativas realizadas, está o sorteio de inscrições para o congresso da Associação Brasileira de Tradutores e Intérpretes, a Abrates. Uma das vencedores deste ano foi a colega Camila Rassi, que compartilha o completíssimo relato de sua experiência no evento. Confira:

Primeiramente, gostaria de agradecer a ATPP pela iniciativa de incentivar a ida a congressos através de sorteios. A última vez que eu tinha ido a um congresso foi na época da faculdade e desde então não me sentia motivada a repetir a experiência. Mas posso garantir que, depois desta experiência, já estou motivada para os próximos.

Apesar de ser tradutora juramentada, considero que o mais encantador do congresso é o fato de se poder entrar em contato com os vários universos que englobam a tradução. Fiquei encantada, por exemplo, com a apresentação da gaúcha Candice Soldatelli, que fala sobre “a busca pelo parágrafo (quase) perfeito”. Ela é fã e tradutora nada mais nada menos que do baterista do Rush, Neil Peart, que também é escritor. Ele narra, em seus livros, experiências vividas em suas viagens. Apreciei muito a forma como a palestrante busca aperfeiçoar seu trabalho, através de orientações com pessoas mais experientes que ela.

Falou-se também sobre o anonimato dos tradutores literários, que na maioria das vezes não têm seus nomes nas capas dos livros, e às vezes nem uma pequena menção no interior do livro. O tradutor deveria batalhar por esse reconhecimento, que vai se converter em valorização quando fechar novos trabalhos com as editoras. Já a tradutora Lenita Maria Limoli, que traduziu o célebre “Senhor dos Anéis”, conta que foi à justiça lutando por direito autoral, já que o tradutor também pode ser considerado um autor.

A tradução também atinge outros universos mais artísticos, que envolvem dublagem e legendagem de filmes. Rayani Immediato e Mabel Cesar contam, com muita paixão, suas experiências profissionais. Mabel, por exemplo, é uma atriz que trabalhou no seriado “Eu, a patroa e as crianças”. Ela dublava a mãe das crianças. Esta dupla dinâmica de palestrantes fala da importância do trabalho de dublagem para os cegos, e como se deveria sempre manter os mesmos dubladores para os mesmos artistas, principalmente em se tratando de uma mesma série ou animação. Para uma pessoa com deficiência visual grave, as vozes se tornam a referência principal para distinguir quem é quem. A dupla comenta e ilustra, através de trechos de seriados, de que forma o trabalho do tradutor e do dublador podem ser verdadeiras obras de arte e até mesmo melhorar a obra ou a versão original. A plateia se diverte com a tirada de gênio na tradução e dublagem do “Primo Cruzado”, série que se iniciou nos anos 80.

Richard Laver e nossa ilustríssima colega do Paraná, Raquel Schaitza, contam suas experiências e relatam resultados de pesquisas no universo da interpretação. Fica evidente, através de seus relatos, que mesmo intérpretes muito experientes sempre têm o que melhorar, já que muitas vezes adquirem certos vícios no trabalho de interpretação que acabam por diminuir a eficácia de seus trabalhos. Eles propõem exercícios que visam tal melhoria.

No campo da tradução juramentada, Raquel Schaitza e Andrea Doris, a presidente de nossa associação, relatam a pesquisa sobre as práticas de orçamentos dos TPICs do Paraná. A pesquisa revela as diferentes formas de se orçar um documento e que, portanto, muitas vezes não se trata de má fé as grandes diferenças orçamentárias.

Sobre inovações no que concerne ainda à área da tradução juramentada, ouvimos Marisol Mandarino, que discorreu sobre a modernização da tradução pública, o que engloba a Apostille de Haia e a Certificação Digital. Infelizmente o tempo dedicado a estes importantíssimos aspectos foi demasiado curto e me parece que deveremos nos dedicar bastante ainda para nos adaptarmos a essa nova fase.

Falou-se ainda sobre a “Machine Translation” e sobre a forma como as tecnologias são rapidamente desenvolvidas e aperfeiçoadas. A previsão é de que daqui uns 15 anos, o trabalho do tradutor e do intérprete seja eficazmente substituído pelas máquinas. Nesse caso, muitos vão precisar reorientar suas vidas profissionais.

A forma como o congresso foi organizado permitia que cada pessoa participasse de 14 apresentações. Eu assim o fiz, quis aproveitar cada momento possível. Não posso aqui discorrer exaustivamente sobre tudo o que vi, porque tornaria esse relato demasiado longo, mas posso garantir que foi muito gratificante.

Como nem tudo é perfeito, pareceu-me que alguns palestrantes tiveram dificuldades de se expressar, não conseguindo contextualizar com clareza seus trabalhos, ou então lhes faltou um pouco de didática. Foi o caso de apenas 2 apresentações dentre as 14 das quais participei. Mas para isso, os organizadores do congresso solicitam que os ouvintes das palestras avaliem os palestrantes e suas apresentações através de fichas. É isso que vai definir quem vai participar dos próximos congressos, visando, assim, a qualidade das apresentações propostas a nós, tradutores.

Para terminar esse “breve” relato, não posso deixar de mencionar como foi bom conhecer novos colegas, trocar ideias, estar nos coffes breaks e na maravilhosa cidade do Rio de Janeiro. Espero vê-los numerosos nos próximos congressos.

Camila Rassi

Back To Top
Search